
Pró-Espuma lança campanha de conscientização sobre o uso de EPS em colchões para garantir que o consumidor compreenda o que está dentro do colchão e como isso pode impactar sua experiência ao longo do tempo.
Nos últimos meses, o uso de EPS (poliestireno expandido) em colchões voltou ao centro das discussões no setor colchoeiro. O assunto ganhou força em feiras, pontos de venda e nas redes sociais e começou a gerar uma pergunta simples, mas relevante: o consumidor sabe exatamente o que está comprando?
Mais do que um debate técnico, trata-se de uma conversa sobre transparência, responsabilidade e evolução do mercado.
O EPS é um material plástico expandido utilizado em diferentes indústrias. No setor de colchões, ele pode aparecer como uma lâmina estrutural na base de modelos classificados como mistos. O Regulamento Técnico do Inmetro (Portaria nº 35/2021) permite colchões com diferentes materiais, desde que a composição esteja corretamente descrita na etiqueta. Ou seja: o uso é permitido dentro das regras vigentes.
Mas o debate atual não gira em torno da permissão. Ele gira em torno de desempenho, durabilidade e clareza de informação.
O processo de certificação compulsória do Inmetro estabelece critérios técnicos para colchões de espuma flexível de poliuretano, garantindo conformidade com requisitos mínimos de qualidade. No entanto, alguns materiais adicionais utilizados em colchões mistos, como é o caso do EPS, não passam por ensaios específicos de conforto e desempenho como acontece com as espumas avaliadas.
Essa distinção é técnica, mas fundamental. O consumidor tende a associar o selo à totalidade do produto, quando, na prática, a certificação atende apenas aos critérios definidos no regulamento. É justamente nesse ponto que o mercado começou a perceber a necessidade de ampliar a conversa.
A iniciativa do INER e Pró-Espuma
Diante desse cenário, o Instituto Nacional de Estudos do Repouso (INER) e o programa Pró-Espuma iniciaram uma iniciativa de conscientização voltada ao consumidor final. O objetivo não é questionar a legalidade do uso de materiais permitidos, nem criar um embate entre fabricantes. O propósito é mais simples e mais estratégico: garantir que o consumidor compreenda o que está dentro do colchão e como isso pode impactar sua experiência ao longo do tempo.
Ao atuar na análise técnica e no estudo do desempenho de colchões, o INER defende que a escolha deve considerar não apenas a composição declarada, mas o comportamento do produto sob uso real. Já o programa Pró-Espuma utiliza ensaios laboratoriais conduzidos por laboratórios acreditados, como o Falcão Bauer, para avaliar critérios adicionais de desempenho, incluindo resistência à fadiga, deformação permanente e manutenção de suporte ao longo do tempo.
Conforto não é apenas sensação inicial. É comportamento ao longo dos anos.
O amadurecimento do setor passa por esse tipo de discussão. O consumidor de hoje pesquisa mais, compara mais e faz perguntas mais específicas. Ele começa a entender que preço e firmeza percebida na primeira experiência não contam toda a história.
Ao trazer o tema do EPS para debate público, o INER/Pró-Espuma não vem criar instabilidade. Estão elevando o nível da informação disponível. Quando o consumidor entende o que é permitido pela norma, o que é avaliado em testes de desempenho e o que é apenas parte estrutural declarada, ele passa a decidir com mais critério. E um mercado onde o consumidor decide com critério é um mercado mais forte.
Essa iniciativa parte de um princípio simples: transparência fortalece o setor. Conscientizar é organizar a informação para que a expectativa e a entrega estejam alinhadas.
No final, o que sustenta o mercado não é o ruído momentâneo, mas a confiança construída no longo prazo.



